Tempos difíceis?
São tempos difíceis. Escuto essa expressão desde que me tenho por gente. E lá se vão muitos anos, mais do que ousa sonhar a vã filosofia dos poucos sete leitores que por aqui passam.
Não tenho lembranças de que em alguma época os tempos poderiam ter sido fáceis. Ditadura militar, guerra fria, crise de Cuba, crises do petróleo, guerras árabe-israelenses, uma redemocratização fajuta, Collor, planos e mais planos econômicos, invasões norte-americanas em inúmeros países, ditaduras militares em diversos países sul-americanos, quebradeira de 2008, pandemia do Covid, 700.000 mortos, sim, a lista é interminável. Não passa mês sem ser tempos difíceis.
Mas podemos, por hora, encerrar a relação com o que, sabidamente, foram os tempos mais difíceis de todos: o governo do mito. Não pelo governo em si, péssimo em quase todos os sentidos – salvo, é claro, para os tantos que, como sói acontecer, se beneficiaram e, sabemos, não foi o povo – mas por um fenômeno quase inexplicável: o comportamento de parcela da população.
São pessoas que, não obstante todas as milhares de provas – faladas e gravadas, escritas, pronunciadas em cercadinhos, transmitidas por rádio e televisão, em jornais, redes sociais – seguem, hipocritamente, acreditando na inocência do líder.
Não é por terem rezado para pneu, por terem colocado celulares na cabeça chamando ETs para salvar o Brasil das garras do comunismo, por terem implorado por intervenção militar e outras façanhas que, tivessem mesmo vindo os ETs, ficariam apavorados e, com certeza, sequer pousariam, mas pela total incapacidade de processar a realidade.
Essa gente é, sem dúvida alguma, doente. Muitos com estudo, com bons empregos ou empresários, com bom nível intelectual, com família constituída nos mais puros cânones do cristianismo, e mesmo assim alguma parte do cérebro parou. E afundaram tanto na doença, que não conseguem retornar. Aliás, pelo que se vê, sequer desejam retornar. Preferem continuar acreditando que o presidiário e sua súcia são inocentes. Apenas doentes alimentados por algo bem pior.
Alimentados por uma parcela que é, de fato, hipócrita. Que veste a máscara da defesa do Brasil, mas que apenas deseja se manter no poder. Eles ocupam o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas, as Câmaras Municipais, governos estaduais, prefeituras e, sem dúvida alguma, o agronegócio, as ditas “igrejas”, os financistas e os remediados que pensam ser ricos.
Se pensamos que os tempos são difíceis, não imaginamos o que nos aguarda em 2026. É gente que não hesitará em entregar o país, desde que obtenha proveito próprio. Não pensará duas vezes, como já tem feito, em tirar dinheiro de programas para o povo, para benefício próprio.
O que está por vir fará com que a expressão “tempos difíceis” seja esquecida.
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