elefante-circo
 
Lula errou.
 
Errou na forma, no momento e em parte do conteúdo.
 
Lula errou na forma.
 
Não deveria ter comparado alhos com bugalhos. Mas o fez em nome de uma errada tradição brasileira de achar que servidor público é apenas quem passa em um concurso.
 
Autoridades públicas nunca se consideram servidores públicos. Dizem-se “agentes políticos”.
 
Pergunte a um magistrado ou a um membro do Ministério Público se ele pensa que é um servidor público. A resposta é pronta e rápida: somos agentes políticos.
 
Pergunte a um “político” se ele pensa que é um servidor público. A resposta é pronta e rápida: somos agentes políticos.
 
Essa separação em castas data de antanho: senhores e escravos; senhores e serviçais; senhores e serventuários. Servidores são os segundos. Os primeiros são donos ou agentes.
 
Lula embarcou na falácia da forma. Falou como agente político e não como servidor público.
 
Um erro imperdoável. Deveria ter aprendido, mais ainda com a história de vida que tem.
 
Lula errou no momento.
 
Nos momentos substancialmente emocionais é justamente quando deveríamos ter o máximo de controle sobre o que dizemos.
 
Mas sabemos que não é assim. As relações sempre são destruídas pelo dito no momentos emocionais. E depois se torna difícil comprovar que o dito foi apenas “movido pela emoção” e não corresponde ao que verdadeiramente pensamos.
 
Lula cometeu o erro da generalização. Talvez desejasse apenas atacar uma meia dúzia de procuradores da Lava Jato, mas errou no foco: não é o fato de serem concursados que faz deles serem bons ou maus servidores públicos (até porque, sabemos que eles “não são servidores públicos”…), mas o caráter e as influências.
 
No mundo midiático que vivemos no Brasil, todos querem seus quinze minutos de fama (até eu generalizo…).
 
Sou do tempo quando promotores de Justiça (e seus correlatos) simplesmente juntavam suas denúncias aos inquéritos policiais e entregavam no balcão do fórum.
 
Não precisavam da Globo e de Power Point. Bastavam as provas.
 
Priscas eras! Devo aceitar que vivemos no século XXI…
 
Lula errou em parte do conteúdo.
 
Na outra parte não.
 
É apenas uma questão de medida.
 
Duas coisas são certas: o Brasil que funciona, funciona graças ao bons servidores públicos (aí incluídos os que se autodenominam “agentes políticos”); o Brasil que não funciona, não funciona graças aos maus servidores públicos (aí…).
 
A questão mais importante não está sendo discutida: queremos romper o sistema de castas, um sistema que não reconhece a todos como servidores públicos, concursados ou não?
 
Não há circo sem palhaço. Mas também não há circo sem que alguém limpe a jaula do elefante que se apresenta.

http://www.escosteguy.net/wp-content/uploads/2016/09/elefante-circo.jpghttp://www.escosteguy.net/wp-content/uploads/2016/09/elefante-circo-150x150.jpgLuiz Afonso Alencastre EscosteguyO Chato  Lula errou.   Errou na forma, no momento e em parte do conteúdo.   Lula errou na forma.   Não deveria ter comparado alhos com bugalhos. Mas o fez em nome de uma errada tradição brasileira de achar que servidor público é apenas quem passa em um concurso.   Autoridades públicas nunca se consideram servidores públicos....Antes de falar, pense! Antes de pensar, leia!